Relatório “Comunicadores e Inteligência Artificial”

António Rapoula (Vice-Presidente APCE) e Maria Domingas Carvalhosa (Presidente Apecom)

16.12.2025

A Inteligência Artificial (IA) já está plenamente integrada no quotidiano dos profissionais de comunicação e relações públicas em Portugal. No entanto, o setor enfrenta desafios significativos nos domínios da ética, da formação e da definição de diretrizes para o uso das ferramentas de automatização. As conclusões são do relatório "Profissionais de Comunicação e Relações Públicas e Inteligência Artificial: Perceções, práticas, desafios e oportunidades", divulgado pelo Observatório Social para a Inteligência Artificial & Dados Digitais da Universidade NOVA de Lisboa, em parceria com a APCE e a Apecom.

O estudo, baseado em 123 respostas de profissionais de agências de comunicação e departamentos corporativos, revela que quase metade dos comunicadores utiliza IA diariamente e mais de 90% afirma ter já algum nível de familiaridade com estas tecnologias. Contudo, esta adoção acelerada não é acompanhada por formação qualificada nem por políticas internas claras, o que cria riscos éticos e operacionais relevantes para profissionais e organizações.

Principais conclusões:

1. Adoção elevada, maturidade baixa

2. Falhas na formação e nas políticas internas

3. Ética é preocupação dominante

4. Oportunidade estratégica para o setor

“A comunicação empresarial e os seus profissionais são sempre parte integrante nas grandes evoluções tecnológicas que afetam as pessoas. A IA é mais um destes casos em que, pelo seu grande impacto, deve ter, pelas organizações, um modelo claro de governança que incorpore ética, transparência, responsabilidade e sobretudo critério humano. Prova desta preocupação é a APCE ser signatária do Venice Pledge da Global Alliance sobre IA”, referiu António Rapoula, vice-presidente da APCE.

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